| TERCEIRO MILÊNIO |
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Ano I - Nº 3 |
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A Pós-Modernidade é o período que respiramos. A Era na qual não há mais um mundo referenciado em princípios e fundamentações. Mas será que um dia isso existiu?
Guardada dentro do peito uma prematura revolta. Há quem diga que é típico da idade. Contudo, prefiro acreditar que tudo não se passa de uma inquietante procura. Procuro a virtude deste Terreno baldio.
Talvez o que eu enxergue não passe de ilusão. Talvez a minha busca seja por um mundo restrito que eu gostaria de ter.
Perfeições não existem. Já não sou mais tão ingênuo! Entretanto procuro entender a maldade humana de crimes insanos. Pá!pá!pá! Três tiros e um pai de família morto. Parado no sinal vermelho dois adolescentes com armas que pesavam mais do que os próprios corpos anunciam o assalto. Disposto a entregar sem reagir o trabalhador pede calma. Mas enquanto apertava o botão para se desvencilhar do sinto de segurança um dos menores, o mais afoito, pensou que o movimento do motorista fosse para pegar uma arma e protagonizou mais um Era uma Vez.
Sentindo-me um perfeito Pitfall* continuo a minha caminhada na selva de pedra do capitalismo selvagem. Já é noite e mulheres encostadas nos postes fazem-me sinais que finjo não entender. Sem precisar andar muito vejo carros da high society atirando bolas de tintas nos moradores das marquises. Nos becos da cidade é vendido abertamente o que o comercial da televisão tenta coibir.
Mesmo sem entender, permaneço procurando a distante razão. E sem olhar para trás dou mais um passo. O assustador passa a ser instigante. Acendo um cigarro e peço mais um copo. Enquanto o garçom não volta escrevo no guardanapo: por que quase sem querer sempre sentimos saudade do passado? Inspirado, desdobro e continuo a recitar as minhas indagações. Por que será que nunca reconhecemos que a vida é sempre mais curta do que imaginamos? Será que o reconhecimento do erro já mudou o viver de alguém? E assim continuei até que não houvesse mais um espaço vazio.
A dor de cabeça não impediu que eu lesse no jornal em cima do balcão a notícia: “Presidente da Chechênia e mais seis pessoas morreram em explosão que deixou 53 feridos”. Atentado terrorista. Não dá para acreditar! Continuo a deslizar o olho pelas embaralhadas letras e leio que “hacker confessa ser o autor do Sasser e também do vírus Netsky. Ele deve ser julgado por sabotagem digital em tribunal juvenil, pois não tinha 18 anos quando cometeu o crime”. Atônito, arregalo bem os olhos para a manchete: “MST invade cinco fazendas em SP”. Olho para o lado e pergunto em voz alta: Cadê a tal da reforma agrária que nunca sai do papel? Mas ninguém me responde. Quem sabe todos não estavam concentrados em encontrar uma explicação para o mísero aumento do salário mínimo. Na verdade, eu acho que ninguém me ouve.
Enquanto pagava a conta descobri a falsa idéia de independência. Somos cada vez mais dependentes uns dos outros, embora o mal do novo século continue sendo a solidão. Volto para casa e concluo que não há nada de novo. O gosto amargo da insatisfação e o cansaço de não confiar em ninguém permanecem ditando a ex-futura ordem e progresso.
Esse é o nosso tempo, uma exaustiva justificativa pela guerra santa. E mesmo que se tenha sangue mesmo. Ninguém quer perder a mais esse reality show.
E pensar que no início da minha caminhada eu apenas procurava um coração que não fosse envenenado. |
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