| Matéria ZEZÉ MOTTA |
|
| |
|
| |
Jornal Faz & Acontece (Jan. 2004)
ZEZÉ MOTTA CANTA E ENCANTA
A homenagem começa no título. Divina Saudade é o nome do show e do cd da cantora e atriz Zezé Motta, que há três anos homenageia a inesquecível Elizeth Cardoso.
Interpretando Baden Powell, Haroldo Barbosa, Noel Rosa, Pixinguinha, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, dentre outros gigantes da música popular, Zezé revive músicas que tiveram importância marcante na vida de Elizeth, tais como: Chega de Saudade, Estrada Branca, Lamento e Nossos Momentos.
“Um dia acordei e vi na minha estante o livro Elizeth, A Diva, de Sérgio Cabral, que eu já havia lido há um ano atrás. Me lembrei da emoção que foi encontrar com ela num show dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, em homenagem a Herivelton Martins. Durante o ensaio conversamos e senti uma total afinidade. Assim, homenagear essa diva acabou virando um grande projeto em minha vida”, afirmou Zezé Motta.
Apresentando-se como crooner nas casas noturnas Balacobaco e Telecoteco, em 1971, na cidade de São Paulo, iniciava a carreira de cantora. O primeiro disco é lançado em 1978 com o nome de Zezé Motta. Em seqüência vieram Negritude, Dengo, Frágil Força e Chave dos Segredos. Com Djalma Corrêa, Jorge Degas e Paulo Moura, lançou Quarteto Negro, em 1998. Neste ano, Zezé grava o cd Invisíveis Cores com músicas do cantor e compositor Luiz Melodia, uma homenagem ao amigo.
No teatro, sua carreira começou no curso de férias numa das mais famosas escolas do Rio de Janeiro, O Tablado, após ganhar bolsa de estudo por se mostrar muito dedicada ao grêmio recreativo do colégio Cruzada São Sebastião, onde passava os fins-de-semana ensaiando, decorando textos e montando alguns espetáculos.
Profissionalizada em 1967, aos 21 anos de idade, Zezé estréia no fervoroso espetáculo, proibido pela ditadura militar, Roda Viva, de Chico Buarque e com direção de José Celso Martinez. Com a arte de representar cada vez mais latente, passou a participar de importantes peças teatrais, como o famoso Godspell, musical de grande sucesso na Broadway. Contudo, sua carreira atingiu o ápice no cinema, com o filme Xica da Silva, dirigido por Cacá Diegues. Zezé Motta se torna conhecida mundialmente e ganha vários prêmios por sua interpretação. “Minha vida é dividida entre antes e depois de Xica da Silva. Antes eu era apenas uma atriz na batalha”, lembra a atriz.
O sucesso estrondoso do filme trouxe alguns problemas sérios a Zezé. Ninguém conseguia desvencilhar o personagem dela. Em certa ocasião teve que descer de um táxi em movimento, pois o taxista ao reconhecê-la começou a passar a mão na sua perna.
“Os parceiros que tive depois do filme sempre diziam não acreditar estar transando com a Xica da Silva. Parecia que o filme se tornava realidade – era o que dizia Glauber Rocha quando namoramos. Era tudo muito confuso para a minha cabeça. Os homens criavam uma fantasia tão grande com o mito da Xica da Silva, da sensualidade dela, que misturei isso na minha cabeça também. Eu tinha uma preocupação tão grande em não frustrar o parceiro que não tinha mais prazer, minha preocupação era dar um show. Tive que levar isso para a análise”, revela.
Zezé também teve marcantes papéis na teledramaturgia brasileira. Atuou em Corpo a Corpo, Pacto de Sangue, A Próxima Vítima, Corpo Dourado, Cananga do Japão, Xica da Silva, Esplendor, Porto dos Milagres, O Beijo do Vampiro, Mãe de Santo e Memorial da Maria Moura.
Aos 58 anos de idade, mãe de cinco filhas adotivas e com vitalidade e beleza que a fizeram símbolo sexual nos anos 70, Zezé Motta mostra-se audaz ao buscar patrocinador para o seu mais novo projeto. Gravar um cd com os clássicos do samba, o qual pretende chamar de Na Cadência do Samba. |
|