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Revista Fitness |
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AS MINHAS DUAS HORAS INTRANSPONÍVEIS
“Um, dois, três, quatro... Vamos! E desce e sobe. Isso!” São as palavras do professor de ginástica. Turma grande, alunos empenhados e esforçados. Há os que reclamam, os que fazem careta, os que olham para o lado e dão aquela coladinha. Entretanto, ninguém pode ou quer parar. Todos agüentam até o “Chega por hoje” sem ao menos perguntar se o novo exercício é matéria de prova. Um modelo de personagens perfeitos. No espelho, o reflexo da minha ação e dos demais. Todos se enxergam. E isso é bom, dá-nos a oportunidade de nos corrigirmos. Conheço muita gente que precisa vir para o Body Balance. Talvez, alguns políticos. Será que se algumas autoridades fizessem esse programa de condicionamento postural, trabalhando força e equilíbrio o nosso ensino não mais seria a hora do recreio?
Será que se o partido de esquerda se equilibrasse no Jump Class compreenderia que ter o controle, requer traquejo e condicionamento físico?
É! A minha turma é legal. Todos sabem que devemos dançar no ritmo da música. E, por falar em música, será que a nossa se prostituiu? O Ministro da Cultura canta reggae e em Inglês. Contudo, não quero levantar esse peso ainda. A minha série mal começou.
Rosca alternada é o que eu gostaria de presentear ao Secretário de Segurança. O importante nesse exercício é a base, a mesma que os pugilistas usam. Contudo, luta mesmo pra mim é o aquecimento que faço antes das séries de exercícios. Sei que preciso estar com a musculatura bem aquecida para evitar futuras lesões; mas pedalar, correr ou fazer esteira por vinte minutos sem rumo e sem sair do lugar é coisa que o governo faz bem melhor do que eu.
Tenho certeza de que um forte exercício aeróbico é o que falta ao inerte Ministério da Saúde. Precisam encontrar a vacina para a passividade.
As mesas flexoras e extensoras são excelentes para as pernas. Recomendo-as ao juiz que concedeu habeas-corpus ao empresário que constrói casas com peças de Lego.
O peso ideal determina um bom nível de saúde e de aproveitamento das aptidões físicas que ajudam a desenvolver tarefas diárias sem fadiga excessiva. Puxada pela frente, seria o exercício apropriado ao responsável pelas altas taxas de juros.
Enquanto vou adquirindo resistência e condicionamento físico na aula de Spinning, recordo-me um dia alguém ter me falado: “a vida é como uma corrida de bicicleta, cuja meta é cumprir a Lenda Pessoal”. Mas será que a vida não passa de uma narração de caráter maravilhoso, na qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética? Assusto-me com o inusitado dessa pergunta. Eu sou apenas um marombeiro. Melhor não procurar a resposta. Pelo menos, não agora. Ainda tenho alguns exercícios a fazer.
Irei trabalhar o peitoral, exercício chamado de supino reto. Preciso ter peito para “comemorar como idiota a cada fevereiro e feriado” já explanava uma Legião Urbana.
Confesso não gostar de malhar costas, mas o voador dorsal é responsável pela minha serenidade à falta de bom senso. Levo comigo alguns pesos nas costas.
Na remada aberta e/ou fechada desbravo o bravio mar da solidão. Aproximo-me da menina atabalhoada com os alteres. Pergunto em voz alta: “Quem modelou teu rosto?”. “Ahã?”. Disfarço e pergunto se quer ajuda. Academia também é lugar de paquera.
Volto à minha série. Já estou acabando. Faltam os abdominais infra, supra e oblíquo. Não quero ficar com aquela barriguinha saliente que evidencia a preguiça e exalta o sedentarismo.
Levanto-me, olho-me no espelho e suspendo a camisa. Um sorriso incontido reluz aos olhos. Mas ainda não acabou. É preciso dar uma alongada. Antes é opcional, mas depois dos exercícios é muito importante. Serve para manter ou para aumentar a amplitude dos movimentos. Melhora a postura; reduz as tensões articulares originárias principalmente em idosos ou indivíduos que se viciam em posições erradas no dia-a-dia e ainda diminui os riscos de lesões e distensões.
Passaram-se duas horas. Há quem pergunte se vale a pena tanto esforço. Prefiro não responder. A resposta deve ser individual. Porém, se o corpo está são, a mente o acompanha. |
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